06 out 2026 · Calculadoras
CLT para PJ: quanto cobrar para não perder dinheiro
CLT para PJ no Simples: com salário de R$ 8 mil, a PJ precisa faturar perto de R$ 8.900 por mês para empatar. Veja a conta com Fator R, férias e FGTS.
Quem recebe uma proposta para trocar a carteira assinada por um contrato PJ costuma fazer uma conta só: o valor da nota é maior que o salário? Essa conta engana. O salário CLT vem acompanhado de 13º, férias com um terço a mais e FGTS, e a PJ paga imposto e INSS do próprio bolso. A pergunta certa é outra: quanto a PJ precisa faturar por mês para deixar no seu bolso, no ano, pelo menos o que a CLT deixa?
Vamos fazer essa conta com um caso concreto e as tabelas de 2026. Os mesmos números você pode testar na calculadora CLT ou PJ.
Passo 1: quanto vale, de verdade, um salário CLT de R$ 8.000
Com salário bruto de R$ 8.000, o holerite fica assim:
- INSS pela tabela progressiva: R$ 921,51;
- imposto de renda: R$ 1.037,85 (a redução que zera o imposto até R$ 5.000 diminui até sumir em R$ 7.350, então aqui ela não ajuda);
- líquido no mês: R$ 6.040,64.
Agora some o que não aparece no holerite do mês. No ano entram o 13º líquido (cerca de R$ 6.040), o terço de férias líquido (cerca de R$ 1.885) e o FGTS de 8%, que soma R$ 8.533 depositados na conta do trabalhador. Tudo junto, a CLT entrega perto de R$ 88.950 no ano, o equivalente a uns **R$ 7.400 por mês**. Esse é o número que a PJ precisa bater.
Passo 2: quanto sobra na PJ do Simples Nacional
Uma empresa de serviço no Simples paga o DAS, que reúne os tributos federais e o ISS. A alíquota depende do anexo, e para muitas atividades (tecnologia, engenharia, arquitetura, publicidade, entre outras) o anexo é decidido pelo Fator R: se a folha, incluindo o pró-labore do sócio, for igual ou maior que 28% do faturamento, a empresa fica no Anexo III, que começa em 6%. Se ficar abaixo de 28%, vai para o Anexo V, que começa em 15,5%. A regra está na Lei Complementar nº 123/2006.
Com faturamento de R$ 8.200 por mês e Fator R:
- pró-labore de 28% do faturamento: R$ 2.296;
- INSS do sócio, 11% do pró-labore: R$ 252,56;
- imposto de renda sobre o pró-labore: zero, porque fica abaixo de R$ 5.000;
- DAS de 6%: R$ 492;
- sobra no mês: R$ 7.455,44, antes do contador e dos custos da empresa.
O restante do lucro é distribuído ao sócio sem imposto de renda, enquanto ficar abaixo de R$ 50 mil por mês da mesma empresa para a mesma pessoa. Acima disso, desde 2026, há retenção de 10% na fonte, pela Lei nº 15.270/2025.
Na conta seca, o ponto de empate fica perto de **R$ 8.150 de faturamento**, quase o mesmo valor do salário CLT. Parece ótimo. Só que essa conta supõe que a PJ fatura os 12 meses do ano.
Passo 3: a margem que a conta seca esquece
Três pontos mudam o número de empate:
- **Férias.** Na CLT, você tira 30 dias e recebe com um terço a mais. Na PJ, se o contrato não paga o mês de descanso, você fatura 11 meses. Para chegar aos mesmos R$ 88.950 no ano, o faturamento sobe para perto de **R$ 8.900 por mês**.
- **O anexo.** Sem o Fator R, no Anexo V, o empate com 12 meses de faturamento fica perto de R$ 9.000. Com 11 meses, perto de **R$ 9.800**. Por isso o pró-labore precisa ser pensado junto com o anexo, e não como um valor qualquer.
- **O que a CLT dá e não tem preço no holerite.** Seguro-desemprego, multa de 40% do FGTS numa demissão sem justa causa, plano de saúde pago pela empresa, vale-refeição. Se o plano de saúde passa a sair do seu bolso, some o valor dele ao faturamento mínimo.
Resumindo o caso de R$ 8.000 de CLT:
- empate na conta seca, Anexo III: cerca de R$ 8.150;
- empate com férias sem faturar, Anexo III: cerca de R$ 8.900;
- empate com férias sem faturar, Anexo V: cerca de R$ 9.800.
A partir desse piso, entram os custos de manter a empresa: contador, certificado digital, eventual alvará. E entram os benefícios que você vai precisar bancar sozinho. A proposta que fica só no empate não compensa o risco de perder a estabilidade.
Os erros mais comuns na troca
- **Comparar a nota com o salário bruto.** O salário bruto não é o que a CLT entrega; o pacote é. E a nota não é o que fica com você.
- **Abrir a empresa no CNAE errado.** O código da atividade define se a empresa pode usar o Fator R ou se vai direto para outro anexo. Dá para conferir na lista de CNAEs do Simples Nacional.
- **Pró-labore no mínimo por hábito.** Pró-labore de um salário mínimo pode derrubar o Fator R e jogar a empresa no Anexo V. Dependendo do caso, um pró-labore maior pode reduzir o total pago.
- **Achar que dá para ser MEI.** Profissões regulamentadas, como engenharia, saúde, direito e contabilidade, não podem ser MEI, e o teto de R$ 81 mil por ano fica abaixo de quase todo contrato desse porte. Comparamos os três formatos em MEI, CLT ou PJ.
Antes de responder à proposta, faça a conta com o seu salário, a sua atividade e o seu pró-labore na calculadora CLT ou PJ. Ela já usa as tabelas de 2026 e mostra o anexo que o Fator R escolhe.
Como a Consensus ajuda
- **Abre a empresa do jeito certo:** análise e recomendação do regime tributário, registro na Junta Comercial, CNPJ, inscrições e alvarás. Veja o serviço de abertura de empresa.
- **Cuida da contabilidade todo mês:** escrituração, balanço, DRE e relatórios gerenciais que mostram quanto a empresa realmente deixa para o sócio, no serviço de contabilidade.
- **Define o pró-labore junto com o anexo,** para a conta do Fator R não ser feita no escuro. Os planos estão em valores.