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06 out 2026 · NR-01

NR-01 e os riscos psicossociais: o que a sua empresa precisa fazer

A NR-01 passou a pedir que a empresa trate a saúde mental no trabalho como trata os outros riscos. Veja quem precisa fazer, o que muda na prática e por onde começar.

A NR-01 é a norma que organiza a segurança e a saúde no trabalho, e desde a atualização de 2024 ela diz com todas as letras que os fatores de risco psicossociais fazem parte do gerenciamento de riscos da empresa. Na prática, sobrecarga, falta de clareza e assédio passaram a ser tratados como o barulho, a poeira e a máquina sem proteção: algo que precisa ser identificado, avaliado e controlado.

O que mudou

A Portaria MTE nº 1.419, de agosto de 2024, alterou o capítulo do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO, e levou os riscos psicossociais para dentro do inventário do Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR. O Ministério do Trabalho deu um período educativo, e a exigência passou a valer a partir de 26 de maio de 2026.

Não nasceu um documento novo. O que mudou é o que o PGR precisa enxergar: além dos riscos físicos, químicos, biológicos, de acidente e ergonômicos, os que vêm da forma como o trabalho é organizado.

O que são riscos psicossociais

São as condições do trabalho que adoecem a pessoa pela cabeça, e não pelo corpo. Os mais comuns:

  • carga de trabalho maior do que cabe na jornada, com prazos que nunca fecham;
  • falta de clareza sobre o que se espera de cada um, ou ordens que se contradizem;
  • pouca autonomia para decidir o próprio trabalho;
  • assédio moral e sexual, e conflitos que ninguém resolve;
  • falta de apoio da liderança e comunicação ruim;
  • metas que dependem de coisas fora do alcance de quem é cobrado.

Nem todo dia difícil é um risco psicossocial. O que a norma pede é olhar para o que é da organização do trabalho e se repete, e não para a vida pessoal de cada funcionário.

Quem precisa fazer

Toda empresa com empregado de carteira assinada está no alcance da NR-01. As menores, de grau de risco baixo, têm regras mais simples para documentar, mas a obrigação de olhar para os riscos vale para todas. Quem monta o PGR é o profissional de segurança do trabalho que atende a empresa, e é com ele que essa conversa começa.

Por onde começar

  1. Converse com quem faz o seu PGR. O inventário de riscos é dele, e os psicossociais entram no mesmo documento.
  2. Escute a equipe. Questionário anônimo, conversa por setor, os motivos dos afastamentos e dos pedidos de demissão. É daí que sai o retrato de verdade.
  3. Transforme o que apareceu em plano de ação. Quem faz o quê, até quando, e como saber se melhorou.
  4. Registre e acompanhe. A norma pede um gerenciamento contínuo, e numa fiscalização o que não está escrito não aconteceu.

O que o departamento pessoal enxerga

O DP costuma ver os sinais antes de todo mundo: atestados que se repetem, afastamentos, pedidos de demissão, horas extras que viraram rotina. Levar esses números para a conversa com quem faz o PGR ajuda a achar onde está o problema. Se quiser saber como organizar isso na sua folha, fale com a gente.

Ficou com dúvida sobre a sua empresa?

O artigo explica a regra. Como ela bate na sua empresa, um contador responde pelo WhatsApp.