12 out 2026 · Folha
PJ paga INSS? Quanto o PJ contribui e como fica a aposentadoria
Sim: o sócio do PJ paga 11% de INSS sobre o pró-labore e o MEI paga 5% do mínimo. Veja quanto isso custa em 2026 e como vira a sua aposentadoria.
Sim, quem trabalha como PJ paga INSS, mas o jeito de pagar muda bastante em relação à carteira assinada. Na CLT o desconto vem pronto no contracheque e a empresa recolhe a parte dela. No PJ, a contribuição depende de quanto você decide retirar como pró-labore e do tipo de empresa que abriu. E é esse valor que, lá na frente, define o tamanho da sua aposentadoria.
Quem usou a calculadora CLT para PJ já viu que o valor líquido do PJ costuma parecer bem maior. Parte dessa diferença existe porque o PJ recolhe menos INSS. Isso é bom para o caixa de hoje e pode ser ruim para a renda de amanhã, se ninguém fizer a conta.
Como o PJ contribui para o INSS
Depende do formato da empresa.
- **MEI**: paga um valor fixo mensal no DAS. A parte do INSS é 5% do salário mínimo, ou seja, R$ 81,05 por mês em 2026 (salário mínimo de R$ 1.621,00).
- **ME ou EPP com sócio (Simples Nacional ou Lucro Presumido)**: o sócio que trabalha na empresa recebe pró-labore e contribui como contribuinte individual. São 11% sobre o pró-labore, retidos pela própria empresa, limitados ao teto do INSS, que em 2026 é de R$ 8.475,55.
O pró-labore não pode ser menor que o salário mínimo. Com o mínimo, a contribuição do sócio fica em R$ 178,31 por mês. No teto, chega a R$ 932,31.
E a parte da empresa? No Simples Nacional, a contribuição patronal (CPP) já está dentro do DAS para quase todas as atividades. A exceção são as atividades do Anexo IV (como obras, vigilância e limpeza), que pagam à parte 20% sobre o pró-labore. No Lucro Presumido, a empresa também recolhe esses 20%.
Distribuição de lucros não paga INSS
O que o sócio recebe como distribuição de lucros não tem INSS nem entra na conta da aposentadoria. Por isso muitos PJs retiram um pró-labore baixo e o restante como lucro. É legal, desde que a empresa tenha contabilidade que comprove o lucro, e explicamos os detalhes no artigo sobre pró-labore e distribuição de lucros.
Um ponto novo: desde 2026, quando a mesma empresa paga à mesma pessoa física mais de R$ 50 mil por mês em lucros, há retenção de 10% de imposto de renda sobre o valor (Lei nº 15.270/2025). Para a maioria dos PJs de serviço esse limite está longe, mas vale saber que ele existe.
Como o pró-labore vira aposentadoria
Desde a Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103/2019), a aposentadoria é calculada pela média de todas as contribuições feitas desde julho de 1994. Sobre essa média, o benefício começa em 60% e sobe 2 pontos para cada ano de contribuição acima de 20 anos (homens) ou 15 anos (mulheres). A idade mínima é de 65 anos para homens e 62 para mulheres.
Na prática:
- **PJ que contribui sobre o salário mínimo a vida toda**: a média fica no mínimo, e o benefício também. Nenhuma regra paga menos que o salário mínimo, mas também não vai além dele.
- **PJ que contribui sobre R$ 5.000 por 30 anos (homem)**: a média fica perto de R$ 5.000 e o benefício em 80% dela, por volta de R$ 4.000 em valores de hoje.
- **PJ que sai de uma CLT com salário alto e passa a recolher sobre o mínimo**: os anos de CLT continuam na média, mas cada ano com contribuição no mínimo puxa a média para baixo.
O cálculo exato depende do histórico de cada um e das regras de transição para quem já contribuía antes de 2019. O extrato do Meu INSS (CNIS) mostra todas as contribuições registradas.
E o MEI?
O MEI garante aposentadoria por idade no valor de um salário mínimo, além de auxílio por incapacidade, salário-maternidade e pensão para a família, cumpridas as carências. Quem quiser que esse tempo conte em outras regras pode complementar a contribuição com mais 15% do salário mínimo. Se o seu faturamento já passou do limite do MEI, veja quando vale abrir uma ME.
Pró-labore baixo ou mais alto: o que pesar
Não existe resposta única. Três pontos ajudam a decidir:
- **Fator R**: no Simples, empresas de serviço do Anexo V podem cair para o Anexo III quando a folha, que inclui o pró-labore, chega a 28% do faturamento. Às vezes um pró-labore maior reduz o imposto da empresa e aumenta a aposentadoria ao mesmo tempo. Veja como funciona no artigo sobre o Fator R.
- **Proteção hoje**: auxílio por incapacidade e salário-maternidade também são calculados sobre a média das contribuições. Pró-labore no mínimo significa benefício no mínimo se você ficar sem poder trabalhar.
- **Previdência privada**: quem prefere recolher pouco ao INSS precisa guardar a diferença por conta própria. Sem esse hábito, o dinheiro que sobrou hoje some, e a aposentadoria fica no mínimo.
O erro mais comum é não retirar pró-labore nenhum. Sem pró-labore não há contribuição, e o sócio fica sem cobertura do INSS e sem contar tempo para a aposentadoria.
Como a Consensus ajuda
- Calculamos o pró-labore de cada sócio olhando ao mesmo tempo o imposto da empresa, o Fator R e a contribuição ao INSS.
- Fazemos a folha do pró-labore, recolhemos o INSS retido e cuidamos das obrigações mensais da empresa.
- Mantemos a contabilidade que comprova o lucro distribuído, para que a retirada isenta não vire problema com a Receita.
Conheça o serviço de contabilidade da Consensus.