02 nov 2026 · PJ
Custos de ser PJ: o que sai do faturamento todo mês
Custos de ser PJ: DAS do Simples, INSS e IR do pró-labore, contador, benefícios e reservas. Veja quanto sobra de uma proposta de R$ 12 mil por mês.
Quem testa a calculadora CLT para PJ costuma levar um susto: o faturamento da proposta parece alto, mas o líquido que sobra é bem menor. A diferença está nos custos que saem do faturamento todo mês, antes de o dinheiro chegar à sua conta pessoal. Conhecer cada um deles é o que separa uma boa proposta de uma armadilha.
Abaixo estão os custos de um PJ de serviços no Simples Nacional, com a regra de cada um e um exemplo com números.
1. O imposto da empresa: o DAS do Simples
O primeiro custo é o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), pago todo mês sobre o faturamento. A alíquota depende do anexo em que a atividade se enquadra, conforme a Lei Complementar nº 123/2006:
- Anexo III: começa em 6% para quem faturou até R$ 180 mil nos últimos 12 meses;
- Anexo V: começa em 15,5% na mesma faixa.
Muitas atividades intelectuais, como TI, engenharia e consultoria, ficam no Anexo III quando a folha de pagamento, incluindo o pró-labore, chega a pelo menos 28% do faturamento. É o chamado Fator R. Abaixo disso, a empresa vai para o Anexo V e paga mais que o dobro. Explicamos a regra em detalhe no artigo sobre como sair do Anexo V para o III com o Fator R.
2. O INSS do pró-labore
O sócio que trabalha na empresa precisa receber pró-labore, que é a remuneração pelo trabalho. Sobre ele, a empresa retém 11% de INSS do sócio, limitado ao teto da Previdência, conforme a Lei nº 8.212/1991. No Simples, nos Anexos III e V, a contribuição patronal já está dentro do DAS, então não há os 20% extras que uma empresa do Lucro Presumido pagaria.
Esse INSS é o que garante aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. Vale ler quanto o PJ contribui e como fica a aposentadoria antes de decidir o valor do pró-labore.
3. O imposto de renda do pró-labore
O pró-labore segue a tabela do imposto de renda, como um salário. Em 2026, com a Lei nº 15.270/2025, quem recebe até R$ 5.000 por mês fica isento na prática, e há redução parcial até R$ 7.350. Para a maioria dos PJs, um pró-labore no valor exato do Fator R fica dentro da faixa isenta ou com imposto baixo.
O restante do lucro sai como distribuição de lucros, isenta para o sócio até R$ 50 mil por mês pagos pela mesma empresa. Acima disso, há retenção de 10%, também pela Lei nº 15.270/2025.
4. Os custos que não são imposto
Aqui está o que a maioria esquece ao comparar propostas:
- Contabilidade: a empresa precisa de escrituração, balanço e entrega das declarações anuais;
- Benefícios que a CLT dava: plano de saúde, vale-refeição e seguro de vida agora saem do seu bolso;
- Reserva para férias e 13º: o contrato PJ não paga nenhum dos dois, então é preciso guardar cerca de 11% do líquido por mês para ter o mesmo descanso remunerado;
- Taxas e ferramentas: certificado digital, taxa de licença da prefeitura em alguns municípios e a conta PJ, quando tem tarifa.
O FGTS também deixa de existir. Se ele fazia parte do seu planejamento, inclua uma reserva equivalente de 8%.
Exemplo: proposta de R$ 12.000 por mês
Um desenvolvedor recebe uma proposta PJ de R$ 12.000 por mês. A conta mensal fica assim:
- Faturamento: R$ 12.000;
- Pró-labore para cumprir o Fator R (28%): R$ 3.360;
- DAS no Anexo III, primeira faixa (6%): R$ 720;
- INSS de 11% sobre o pró-labore: R$ 369,60;
- Imposto de renda sobre o pró-labore: isento em 2026.
Depois dos tributos, sobram cerca de R$ 10.910. Desse valor ainda saem a contabilidade, o plano de saúde e as reservas. Guardando 11% para férias e 13º (cerca de R$ 1.200) e 8% no lugar do FGTS (cerca de R$ 870), o dinheiro realmente livre fica perto de R$ 8.840, antes do plano de saúde e da contabilidade.
Se o mesmo desenvolvedor esquecesse o Fator R e ficasse no Anexo V, o DAS subiria para R$ 1.860, ou seja, R$ 1.140 a mais por mês sem nenhum ganho.
Os erros mais comuns
- Comparar o salário CLT bruto com o faturamento PJ, sem descontar nada;
- Definir pró-labore de um salário mínimo e cair no Anexo V sem perceber;
- Gastar o dinheiro das férias e do 13º e ficar sem renda no mês de descanso;
- Misturar a conta da empresa com a pessoal, o que dificulta saber quanto realmente sobra. O artigo sobre como separar a conta PJ da conta pessoal mostra como organizar isso.
Antes de aceitar a proposta, coloque os seus números na calculadora CLT para PJ e compare o líquido dos dois lados.
Como a Consensus ajuda
A contabilidade do PJ é o que mantém o Fator R e a distribuição de lucros dentro da lei. No serviço de contabilidade da Consensus, a empresa recebe:
- Escrituração contábil mensal, com Livro Diário e Livro Razão, que dá base legal para a distribuição de lucros isenta;
- Balanço patrimonial e DRE, além da entrega da ECD e da ECF dentro do prazo;
- Relatórios gerenciais mensais para saber quanto a empresa faturou, pagou e pode distribuir.
Os planos estão na página de valores.