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01 nov 2026 · PJ

Vale a pena ser PJ ganhando R$ 10 mil? A conta com a CLT

Com R$ 10 mil brutos, CLT e PJ deixam cerca de R$ 109 mil no ano. Veja a conta com INSS, IR, Simples e Fator R e quanto a proposta PJ deve pagar.

Uma proposta de R$ 10 mil por mês como PJ parece igual a um salário de R$ 10 mil com carteira assinada. Não é. Na CLT, os R$ 10 mil são só uma parte do pacote: há 13º, férias com um terço a mais e FGTS. No PJ, os R$ 10 mil são tudo o que entra, e é dali que saem o imposto da empresa, o INSS e a contabilidade. A conta abaixo usa as regras de 2026 e mostra quanto sobra em cada caso ao longo de um ano.

Quanto sobra na CLT com salário de R$ 10 mil

Em 2026, o desconto do INSS chega ao teto para quem ganha R$ 10 mil: R$ 988,09 por mês, pela tabela da Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026. Depois do INSS, a base do Imposto de Renda fica em R$ 9.011,91, e o IR retido pela tabela progressiva é de R$ 1.569,55. A redução criada pela Lei nº 15.270/2025 só alcança quem ganha até R$ 7.350 por mês, então não ajuda aqui.

  • Salário líquido mensal: cerca de R$ 7.442,36.
  • 13º salário líquido: mais um salário líquido, cerca de R$ 7.442,36.
  • Terço de férias: rende cerca de R$ 2.416,67 líquidos a mais no mês das férias.
  • FGTS: 8% sobre salários, 13º e terço de férias, cerca de R$ 10.666,67 no ano, depositados pela empresa.

Somando tudo, o empregado CLT com salário de R$ 10 mil fica com algo perto de R$ 109.800 por ano, entre dinheiro na conta e FGTS. Esse número não inclui vale-refeição, plano de saúde ou outros benefícios, que pesam muito na comparação. Se você quiser ver o seu caso com os seus números, a calculadora CLT para PJ faz essa simulação.

Quanto sobra no PJ faturando R$ 10 mil

Para o PJ de serviço intelectual (TI, consultoria, design, marketing), o regime mais comum é o Simples Nacional. A alíquota depende do Fator R: se o pró-labore for de pelo menos 28% do faturamento, a empresa é tributada no Anexo III, que começa em 6%. Abaixo disso, cai no Anexo V, que começa em 15,5%. Explicamos esse ajuste em detalhe no artigo sobre como sair do Anexo V para o III.

Com faturamento de R$ 120 mil no ano e Fator R em ordem, a conta mensal fica assim:

  • DAS do Simples: 6% de R$ 10.000, ou R$ 600. O ISS já está dentro do DAS.
  • Pró-labore de R$ 2.800 (28% do faturamento): INSS de 11%, ou R$ 308. No Anexo III a empresa não paga os 20% patronais, porque eles já estão no DAS.
  • Imposto de Renda sobre o pró-labore: zero, porque R$ 2.800 fica abaixo da faixa tributável.
  • Lucro distribuído: o restante sai como distribuição de lucros, sem Imposto de Renda nessa faixa de valor.

Sobram R$ 9.092 por mês, ou R$ 109.104 no ano. E ainda falta tirar a mensalidade da contabilidade, a tarifa da conta PJ e, se houver, o certificado digital.

O resultado: R$ 10 mil é empate, não vantagem

Com o mesmo valor bruto, CLT e PJ ficam praticamente iguais no ano: cerca de R$ 109.800 na CLT contra R$ 109.104 no PJ, antes dos custos da empresa. Depois desses custos, a CLT fica na frente. E o PJ ainda abre mão de coisas que não aparecem no extrato:

  • multa de 40% do FGTS e seguro-desemprego se o contrato acabar;
  • férias pagas: o PJ que para 30 dias sem receber perde um mês de faturamento;
  • aposentadoria e auxílios do INSS calculados sobre R$ 2.800, e não sobre o teto;
  • benefícios como plano de saúde e vale-refeição, que passam a sair do próprio bolso.

Por isso a pergunta certa não é "vale a pena ser PJ ganhando R$ 10 mil", e sim "quanto a proposta PJ precisa pagar para valer a pena". Uma regra prática usada no mercado é pedir de 30% a 40% a mais que o salário CLT bruto, ajustando pelos benefícios que você perde. No exemplo, isso significa algo entre R$ 13 mil e R$ 14 mil por mês. O passo a passo dessa negociação está em CLT para PJ: quanto cobrar para não perder dinheiro.

Os erros que mudam a conta

Três detalhes fazem o PJ ganhar menos do que imaginava:

  • Pró-labore abaixo de 28%: sem o Fator R, o imposto do PJ de serviço intelectual sobe de 6% para 15,5% ou mais. Em R$ 10 mil, são R$ 950 a mais por mês.
  • Abrir como MEI: atividades intelectuais como desenvolvimento de software e consultoria não são permitidas no MEI, e o teto de faturamento não comporta R$ 10 mil por mês.
  • Misturar as contas: sem escrituração contábil, a isenção sobre o lucro fica limitada a um percentual presumido do faturamento. Retirar dinheiro acima disso, sem registro, pode virar rendimento tributável na pessoa física.

Vale lembrar que a conta muda em salários maiores. Acima de R$ 50 mil por mês em lucros pagos pela mesma empresa à mesma pessoa, a Lei nº 15.270/2025 passou a reter 10% de Imposto de Renda. Para a faixa de R$ 10 mil, essa regra não se aplica.

Como a Consensus ajuda

Se depois da conta o PJ fizer sentido, o trabalho é montar a empresa do jeito certo desde o primeiro mês:

  • Abertura da empresa com análise do melhor regime tributário, CNAE, CNPJ e inscrições, ou migração de outra contabilidade.
  • Escrituração contábil mensal, com balanço e DRE, que comprova o lucro distribuído.
  • Relatórios gerenciais para você saber quanto a empresa faturou, pagou e quanto pode retirar.

Veja o que está incluído em abertura de empresa e os planos em valores.

Fontes

Ficou com dúvida sobre a sua empresa?

O artigo explica a regra. Como ela bate na sua empresa, um contador responde pelo WhatsApp.